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terça-feira, 25 de dezembro de 2012

"Um pouco sobre o Grand Master"





Em 1914, o mestre de jiu-jítsu Esai Maeda, também conhecido como Conde Coma, teve a oportunidade de viajar para o Brasil, como parte de uma grande colônia de imigração japonesa. No Pará, estado brasileiro da região norte, tornou-se amigo de Gastão Gracie, um influente empresário que ajudou Maeda a estabelecer-se. Para demonstrar sua gratidão, Maeda prontificou-se a ensinar o jiu-jítsu japonês tradicional à Carlos Gracie, filho mais velho de Gastão. Carlos aprendeu por alguns anos e, depois, passou seu conhecimento para os irmãos.
Helio Gracie, o mais novo dos oito filhos (três eram meninas) de Gastão e Cesalina Gracie, sempre havia sido uma criança fisicamente delicada: subia um lance de escadas e tinha vertigens, ninguém sabia por quê. Depois de completar a segunda série, convenceu a mãe de que não tinha saúde suficiente para continuar frequentando a escola. Ela concordou, e ele nunca mais voltou aos estudos.
Quando a família enfrentou dificuldades financeiras, após mudar-se para o Rio de Janeiro, algumas das crianças foram viver com outros parentes. Helio foi morar com suas tias e, por meio desses contatos familiares, encontrou emprego de timoneiro em um popular time de remo local, mudando-se depois de algum tempo para o dormitório do time. Seu espírito indomável e grande senso de humor combinavam-se para que ele estivesse sempre “pintando o sete”. De fato, sua incansável capacidade de exasperar as pessoas à sua volta lhe valeu o apelido de "Caxinguelê".
Aos 14 anos, ele foi morar com seus irmãos mais velhos, numa casa em Botafogo, bairro do Rio de Janeiro, onde ensinavam jiu-jítsu. Por recomendações do médico, Helio passou os próximos anos limitado apenas a observar as aulas dadas por seus irmãos.
Certo dia, quando Helio tinha 16 anos, um aluno chegou para tomar aula com Carlos, que havia saído. Helio, que tinha memorizado todas as técnicas ao assistir seus irmãos ensinando, ofereceu-se para começar a aula. Quando a lição terminou, Carlos chegou, pedindo desculpas pelo atraso. O aluno respondeu: "Não se preocupe. Gostei muito da aula com Helio. Se você não se importar, eu gostaria de ter aulas com ele de hoje em diante." Carlos concordou, e Helio tornou-se professor.
Helio logo percebeu que, devido a seu físico frágil, não conseguia executar facilmente a maioria das técnicas que havia aprendido ao observar as aulas de Carlos. Com a determinação de executá-las eficientemente, começou a modificá-las para que se adaptassem à sua frágil constituição física. Enfatizando os princípios de alavanca e a escolha do momento certo para aplicar as técnicas, em vez da força e da velocidade, Helio praticamente modificou todas as técnicas e, por meio de tentativas e erros, criou o Gracie Jiu-Jitsu, o Jiu-Jítsu Brasileiro.
Para provar a eficácia de seu novo sistema, Helio desafiou publicamente todos os praticantes de artes marciais mais respeitáveis do Brasil. Participou de 18 lutas, incluindo desafios contra o antigo campeão mundial peso pesado de luta-livre, Wladek Zbyszko, e o segundo maior judoka do mundo na época, Kato, a quem Helio estrangulou e deixou desacordado após 6 minutos de combate. Sua vitória contra Kato qualificou-o para subir no ringue contra o campeão mundial Masahiko Kimura, quase 35 quilos mais pesado que Helio.
Em um acontecimento digno de um filme de Hollywood, certa vez ele saltou em águas infestadas de tubarões no oceano Atlântico para salvar um homem que se afogava. Esse feito heróico conferiu-lhe a medalha de honra ao mérito.
Aos 43 anos, Helio e seu adversário Waldemar Santana, um ex-aluno, bateram o recorde mundial do mais longo combate de vale-tudo da história, quando lutaram, incrivelmente, durante 3 horas e 40 minutos, sem intervalos!
Helio, amplamente considerado o primeiro herói do esporte na história brasileira, também desafiou ícones do boxe, como Primo Carnera, Joe Louis e Ezzard Charles. Todos recusaram.
Uma lenda contemporânea, Helio Gracie conquistou aclamação internacional por sua dedicação à divulgação da arte e da filosofia do Gracie Jiu-Jitsu. Homem devotado à família, exemplo de vida saudável, Helio Gracie foi um símbolo de coragem, disciplina e determinação, e uma inspiração para todos os que o conheceram.

terça-feira, 1 de novembro de 2011

"História do Jiu-Jitsu"

 Mitsuyo Maeda também conhecido como “Conde Coma”, nasceu na aldeia de Funazawa, cidade de Hirosaki, no Japão, em 18 de novembro de 1880 e faleceu em Belém, no Brasil, em 28 de novembro de 1941. Obteve nacionalidade brasileira com o nome de Otávio Mitsuyo Maeda.
A história do Conde Coma se confunde com o nascimento do Jiu Jitsu no Brasil, por seu pioneirismo no Jiu Jitsu e no Judo do Brasil. Em 1894, entrou na Waseda University, em Tóquio, e um ano depois passou a treinar Judo no Kodokan, sendo aluno direto de Tsunejiro Tomita, 4ºdan. Maeda iniciou sua trajetória nas artes marciais com o Sumo, mas devido a sua baixa altura (1,60m) e seu pouco peso (70kg) teve seu desenvolvimento comprometido para este estilo marcial.
Maeda era um excelente lutador e ficou famoso como “o homem das mil lutas”. Em 1904, após ter ganhado diversas lutas em campeonatos, abandonou os campeonatos, tornando-se uma lenda dentro do Judo, na sua época, no Japão.
Em 1904, Maeda foi para os Estados Unidos da América, pois o presidente Roosevelt queria ter em seu país as fundamentações marciais do Judo. O primeiro lugar onde Maeda se apresentou, ao lado de Tsunejiro Tomita, foi na Academia do Exército Norte-Americano em West Point. Durante outra demonstração de luta nos EUA, Maeda estava, como sempre, acompanhado de Tomita, que inclusive era o seu instrutor. Nesta oportunidade eles iniciaram com um Kata, mas o público não entendeu, então, um lutador de luta livre que se encontrava na platéia os desafiou para um combate real e Maeda começou a lutar, contudo com alguma dificuldade acabou derrotando-o. Esta derrota criou uma revolta entre os presentes e o público exigiu que Tomita também lutasse com um desafiante, já que era o mestre marcial de Maeda, que se mostrou excelente lutador. Tomita já tinha uma idade avançada e estava fora de forma, mas mesmo nessas condições desfavoráveis aceitou o confronto e foi facilmente derrotado.
Posteriormente Maeda começou a se dedicar aos desafios de lutas e sagrou-se vencedor na maioria deles. Lutando na América, Europa e muitos países do mundo.
Em 1913, após passar pelo México e por Cuba, Maeda chegou ao Brasil. Inicialmente aportou em Santos/ SP, e depois de passar por várias cidades brasileiras, se fixou definitivamente em Belém, capital do Pará. Ele se apaixonou pelo Brasil, em especial pela cidade de Belém, onde ensinou a Carlos Gracie, possibilitando os primeiros passos deste grande mestre, que pouco tempo depois, junto com toda sua família, se tornariam estrelas mundialmente famosas das artes marciais.

"Mestres"

Mestre Rezende


Das Minas Gerais, mais precisamente de Leopoldina, o jovem foi para o Rio de Janeiro, com a família, à procura de novos horizontes. Nas andanças pela Cidade Maravilhosa deparou-se com uma academia de jiu-jítsu, já famosa, e que estampava o nome de Hélio Gracie na fachada. Parou, auscultou o barulho interior e foi convidado a entrar. Despertou-lhe a curiosidade e fez perguntas. Porém, o que mais impressionou não foram as respostas, mas a educação, a cortesia e o respeito que dedicaram a ele – um desconhecido mineirinho. Gostou do que viu e mais, ainda, do que ouviu. Dias depois retornou, já para inscrever-se, mas faltava o quimono, obtido com muita dificuldade.
Das primeiras aulas à competição, foram algumas semanas, e o sabor de vitórias seguidas o seguraram no esporte do tatame. Isso tudo aconteceu antes de 1960, e, de lá para cá, muita coisa mudou, menos o amor pelo jiu-jítsu. Por volta de 1961, o jovem atleta recebia a faixa preta, optando por ser professor e não competidor.

Desenvolveu um trabalho muito grande no Rio de Janeiro, começando a atuar na Pavuna, Nilópolis, Duque de Caxias e na favela da Rocinha, para onde levou o PREV – Professor Rezende Esporte é Vida.
O tempo passou e, em 1993, o professor galgava o 7º Grau, passando ao 8º grau em 98, chegando neste 2008 ao 9º Grau. Funcionário da secretaria da Segurança Pública do Rio, aposentou-se há pouco, mas teve tempo, também, de voltar às Minas Gerais, onde pode dat oportunidades a que muitos de seus alunos passassem a ministrar aulas, orientados por ele, em Itanhandu, Varginha, Passa Quatro, São Lourenço, além de Cruzeiro, no Vale do Paraíba.
Quando chegou a Ilhabela, em 2000, conheceu Marco Antonio, o Picota, que o apresentou ao então secretário municipal da Cultura, Gilmar Pinna. Terminou sendo contratado como instrutor de jiu-jítsu, arrebanhando jovens e adultos, homens e mulheres, que se identificavam com o esporte e, com improvisados tatames, iniciou a orientação, mostrando conhecimento, seriedade, respeito e amor intenso a mais de 800 alunos. Hoje, 326 deles se dedicam ao esporte, treinam, competem, justificam a presença com os troféus e medalhas que trazem na bagagem, onde quer que aportem.
São sempre convidados, convocados e marcam presença, seja por conta própria, seja com a pequena ajuda da secretaria de Esportes do arquipélago.
E o professor se esmera em registrar todos na Federação e na Confederação Brasileira de Jiu-Jítsu Esportiva. Fim de semana passada, 14 foram ao Baby Barioni, em São Paulo, competir no campeonato sul-americano, de onde trouxeram 3 medalhas de ouro e outros excelentes resultados. Conseguiu classificar seus alunos para o mundial da modalidade, que será realizado em São Paulo, no próximo mês.   Por tudo que esse homem faz, merece o mesmo respeito que oferece a todos, seja circulando pela cidade, seja nas aulas que são freqüentadas no Itaquanduba, na Barra Velha, no Sul ou mesmo no reino, onde a Associação de Amigos do Bairro lhe dá todo apoio.
Falamos, hoje, de João Rezende de Souza Filho, o Mestre Rezende, que está tendo seu trabalho reconhecido pela Câmara de Ilhabela, através de moções de Aplauso e Louvor, ao longo dos anos.
Mestre Rezende, executor de um trabalho de muitos méritos, porque para ter sob a sua tutela mais de 300 jovens e adultos, praticantes do jiu-jítsu, é necessário dedicação, amor e entrega total, para quem o pessimismo não existe e o otimismo é sempre uma clareira, uma esperança que desabrocha, não deixando enveredarem-se para caminhos escusos muitos dos que já foram espreitados e cooptados pelos falsos amigos.
Mestre Rezende, receba de toda uma comunidade os aplausos e a certeza de que não vai esmorecer jamais, porque a força interior que o move, transcende e ajuda iluminar o nosso mundo.

Ilhabela lhe é muita grata.